segunda-feira, setembro 21, 2020
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Uma nova fábrica de baterias, esquema de veículos leves sobre trilhos, frota crescente de ônibus elétricos e busca pela liderança na produção de painéis solares – a BYD (Build Your Dreams) da China tem grandes planos para o Brasil em 2020.

Em mais um sinal das ambições da BYD, o governador de São Paulo, João Doria, espera que a empresa compre a antiga fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, um símbolo de longa data da indústria automotiva brasileira, que fechou em outubro de 2019.

BYD não fez comentários sobre a transação. Mas a aquisição da fábrica seria a cereja do bolo para os avanços recentes da empresa, conquistados apesar de uma recessão para a indústria automotiva nacional, e envia um forte sinal sobre as demandas por um futuro de transporte livre de combustíveis fósseis.

O Brasil é o sexto país com maior emissão de gases de efeito estufa no mundo e o transporte é responsável por pouco mais de 10%, segundo a ONG Observatório do Clima.

Os legisladores brasileiros agora estão pressionando por uma legislação mais rígida para incentivar o uso de veículos elétricos. Em São Paulo, a Lei do Clima 2018 estabeleceu a meta de zero poluentes do transporte na capital paulista em 20 anos. E em fevereiro de 2019 o Comitê de Constituição e Justiça do Senado aprovou um plano para interromper as vendas de veículos a gasolina e diesel a partir de 2030 – um passo importante para se tornar uma legislação nacional.

“Todos acreditam que a partir de 2020 esse mercado vai crescer e se firmar no Brasil”, disse Adalberto Maluf, diretor de marketing, sustentabilidade e novos negócios da BYD Brasil.

A corrida pela liderança da BYD

A BYD busca diversificar suas atividades no Brasil, mas se firmou com a fabricação de chassis para ônibus elétricos, que produz em uma fábrica em Campinas (SP). Maluf espera um aumento na demanda por ônibus elétricos, o que poderá compensar o descompasso do Brasil até agora.

Ônibus elétricos da BYD chegam às ruas de São Paulo (imagem: BYD)
Ônibus elétricos da BYD chegam às ruas de São Paulo (imagem: BYD)

O Brasil é o sexto país com maior emissão de gases de efeito estufa no mundo e o transporte é responsável por pouco mais de 10%, segundo a ONG Observatório do Clima.

Os legisladores brasileiros agora estão pressionando por uma legislação mais rígida para incentivar o uso de veículos elétricos. Em São Paulo, a Lei do Clima 2018 estabeleceu a meta de zero poluentes do transporte na capital paulista em 20 anos. E em fevereiro de 2019 o Comitê de Constituição e Justiça do Senado aprovou um plano para interromper as vendas de veículos a gasolina e diesel a partir de 2030 – um passo importante para se tornar uma legislação nacional.

“Todos acreditam que a partir de 2020 esse mercado vai crescer e se firmar no Brasil”, disse Adalberto Maluf, diretor de marketing, sustentabilidade e novos negócios da BYD Brasil.

A corrida pela liderança da BYD

A BYD busca diversificar suas atividades no Brasil, mas se firmou com a fabricação de chassis para ônibus elétricos, que produz em uma fábrica em Campinas (SP). Maluf espera um aumento na demanda por ônibus elétricos, o que poderá compensar o descompasso do Brasil até agora.

Em 2019, a BYD vendeu 450 ônibus para a Colômbia e 300 para a República Tcheca. Apenas 50 foram para o Brasil depois que duas importantes licitações foram suspensas pelos tribunais por falta de estudos de viabilidade financeira e outras questões técnicas.

“Em 2020, espera-se que o Brasil tire seu programa do papel e tenha a maior frota de ônibus elétricos da América Latina”, disse Maluf. “São Paulo deve se tornar o maior mercado.”

Segundo Maluf, a agência paulista de transportes públicos SPTrans estima que 7 mil ônibus elétricos estarão nas ruas em dez anos.

A empresa também espera ampliar a frota em Campinas, que está em processo de aquisição de 339. Na cidade nordestina de Salvador, a empresa espera vender mais 300 ônibus elétricos.

BYD diversifica

Salvador também é o cenário de um novo projeto BYD. Em fevereiro de 2019, a empresa venceu a licitação para construir um monotrilho urbano de 22 quilômetros.

A empresa chinesa fará o projeto – o maior no Brasil – em uma parceria público-privada de 1,5 bilhão de reais (US $ 316 milhões) ao lado do governo do estado da Bahia, que espera concluir a obra até o final de 2021.

Outro nicho identificado pela BYD Brasil são os caminhões elétricos, importados de sua matriz. Já vendeu algumas dezenas de caminhões compactadores de lixo pesado para três cidades brasileiras, incluindo o Rio de Janeiro, no que está se tornando um campo competitivo. Em dezembro de 2019, a Volkswagen investiu 110 milhões de reais (US $ 23 milhões) em sua fábrica de Resende (também no Rio) para a produção de caminhões elétricos.

Além de seus principais empreendimentos de transporte, este mês a BYD também abrirá uma nova fábrica na capital do estado do Amazonas, Manaus, que produzirá baterias elétricas para armazenar energia gerada por painéis solares.

“Queremos nos estabelecer no setor de armazenamento de energia”, disse Maluf.

Os altos preços da eletricidade, as tarifas que dependem do custo de geração e a instabilidade da rede em algumas partes do Brasil têm levado alguns consumidores (principalmente os maiores) a buscar novas fontes de energia. Uma opção para os consumidores é produzir e usar energia com painéis solares.

Este ano, a BYD espera dobrar sua produção de painéis solares e liderar as vendas em todo o país, ultrapassando a Canadian Solar. A subsidiária brasileira da BYD já possui uma fábrica de painéis fotovoltaicos em Campinas (SP).

Mais limpo, mas sem infraestrutura nacional

Para Boris Feldman, engenheiro e jornalista que cobre a indústria automotiva há trinta anos, a BYD está entrando em um mercado com pouca ou nenhuma concorrência.

“Quase não há empresas vendendo caminhões elétricos e nenhuma outra fabricando ônibus totalmente elétricos”, afirma.

Feldman acredita que a estratégia da BYD de se concentrar em ônibus e caminhões elétricos para uso urbano é a escolha certa. A falta de postos de recarga e os altos impostos impedem que os veículos particulares sejam uma alternativa viável, diz ele.

“Essa iniciativa da BYD é a única maneira que vejo os veículos elétricos funcionando no Brasil hoje – circulando apenas no trânsito da cidade, funcionando o dia todo, estacionados e carregando à noite”, diz ele.

Faz mal para o Brasil ficar tão longe do desenvolvimento tecnológico, sem desenvolver o setor nacional

Suzana Kahn, diretora adjunta da Coppe, instituto de pesquisas em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, vê o crescimento de uma empresa que produz veículos com emissões zero como um desenvolvimento positivo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 51 mil pessoas morrem a cada ano no Brasil em decorrência de doenças causadas pela poluição do ar. As dez cidades mais poluídas estão no estado de São Paulo, onde se concentra a indústria automotiva.

Mas Kahn também se preocupa com a própria indústria brasileira: “É ruim para o Brasil estar tão longe do desenvolvimento tecnológico, sem desenvolver o setor interno, sem gerar empregos”.

Maluf concorda e diz que, embora o Brasil tenha perdido oportunidades de desenvolver sua indústria, as parcerias com a BYD ainda podem ser frutíferas. A empresa investiu 5 milhões de reais (US $ 1 milhão) em pesquisas fotovoltaicas na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). O projeto resultou no primeiro painel solar de dupla face produzido pela BYD.

“O fato de o Brasil possuir grandes reservas de lítio mineral de altíssima qualidade, além de biocombustíveis, pode potencializar o desenvolvimento de carros flex híbridos”, observa Maluf.

“Agora também depende da ação do governo.”

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